quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Saudades de Minha Terra



Gente humilde…
As vezes me bate ao peito uma saudade imensa de ti ó terra querida, mas tenho que suportar a vontade de exisitr em ti e imensa magnitude de recusar a minha ida ao teu seio...
Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece
De repente
Como um desejo de eu viver sem me notar
Igual a tudo, quando eu passo
Num subúrbio
Eu muito bem, vindo de trem
De algum lugar
Aí me dá uma inveja
Dessa gente
Que vai em frente
Sem nem ter com quem contar
São casas simples
Com cadeiras na calçada
E na fachada, escrito em cima
Que é um lar
Pela varanda, flores tristes
E baldias
Como a alegria que não tem
Onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito de eu não ter
Como lutar
E eu não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar

Te amo Cruzeiro do Sul

Motor de avião que caiu na Amazônia é removido





Nove pessoas sobreviveram ao acidente com a aeronave da FAB.
Investigação vai determinar as causas do acidente.
O Comando da Aeronáutica informou, nesta quinta-feira (5), que o motor da aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) que caiu na Amazônia foi removido e será encaminhado para Cruzeiro do Sul (AC), de onde seguirá para análise.

A aeronave caiu no dia 29 de outubro, quando seguia de Cruzeiro do Sul (AC) para Tabatinga (AM), com 11 pessoas a bordo. Nove pessoas sobreviveram e foram resgatadas. Duas pessoas morreram.
O avião foi retirado do rio e levado para a margem na quarta-feira (4). Várias partes da estrutura da aeronave foram retiradas e também serão analisadas durante a investigação que vai determinar as causas do acidente. Não há prazo para o término dos trabalhos. A investigação será conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA).

AO MEU PAI, JOSÉ MASTRANGELO


*Por Marcela Mastrangelo

Vamos começar uma viagem no tempo. Tudo começou num pequeno vilarejo no Sul da Itália, Coregia. Era uma bonita manhã de domingo, fim de inverno e começo de primavera, fim da 2º Guerra Mun-dial. Em 11 de março de 1945, nascia um bebê robusto, com quase cinco quilos, com uma cabeça avantajada, dando muito trabalho para o parto de sua mãezinha. Nesta manhã, nasceu José Mastrangelo (Giuseppe Mastrangelo-"foto"), apelidado, carinhosamente em sua terra, de "Pepino" (Zezinho).

Teve uma bela infância. Entre muitas frutas e verduras (ele gostava muito de se alimentar) e "danadices" de um menino inteligente, ele, desde cedo, olhando o mapa mundi, disse que, um dia, iria conhecer a Amazônia, pois lá deveria ser um lugar bom para se morar, porque era calor.

Aos 12 anos, foi para o colégio interno, onde estudou a juventude inteira e, aos 27 anos, já era Doutor naquilo que tinha se proposto a estudar, a Teologia e a sociedade e suas relações.

Quando chegou o momento de prestar o serviço militar, optou pelo trabalho voluntário num país de Terceiro Mundo ou em Desenvolvimento, como prefiram falar, só que esse país era o Chile. Porém, após 11 dias no navio vindo da Itália, aportou no Rio de Janeiro e decidiu: "é aqui que eu quero ficar". Foi desenvolver trabalhos comunitários na favela Jacarezinho. Em viagens a São Paulo, conheceu Dom Moacyr e, quando soube que este morava na Amazônia, não titubeou: "quero conhecer a sua terra". Era o Acre... Ah, que bonito!

Seu sonho de menino havia se concretizado. Ele conheceu a Amazônia, e logo, logo, começou a desempenhar diversas atividades na sociedade acreana, entre elas, a paixão de sua vida: lecionar, ensinar, abrir mentes, fazer conhecer.

Foi nesta que conheceu Ocidéa Mastrangelo, filha da terra, sua aluna. Namoraram dois anos, e ele, já não querendo mais ir embora daqui, casou-se com ela em 30 de julho de 1978. Querendo muito ser pai, a princípio de 12 filhos (!), teve Marcela (eu), em 1980; João Paulo, em 1982, e José, em 1984. Mesmo meu pai discordando, minha mãe decidiu que estava bom três filhos. E, enfim, só foram esses três filhos que tiveram a sorte de ter um pai querido, bondoso e feliz em suas vidas.

Tudo que quis nos deixar de herança, ele conseguiu com êxito: cultura, amor pela arte (música, livros, culinária, e etc...), estudos, viagens. Ah, como eram deliciosas nossas viagens pelo mundo!

José Mastrangelo era um homem apaixonado pelo debate, pela discussão das idéias, pelo fomento à participação de todos e, principalmente, pela inclusão de todos na sociedade. Era emblemática a forma como, em seus discursos (e, agora, relendo seus escritos, confirmei), ele tinha sempre a mesma razão, o mesmo propósito: alertar sobre a coerência, sobre ensinamentos cristãos, sobre amor ao próximo.

Nos diversos papéis que atuou em sociedade, inclusive o de professor (no qual eu também tive a oportunidade de conhecê-lo, já que fui sua aluna), podem ter certeza de que nenhum ele desempenhou com tanto amor e respeito quanto o de pai. Ele foi e sempre será um grande e bom pai.

Nunca gritou, nunca reprimiu, nunca bateu, nunca trouxe desgostos, muito pelo contrário, sempre conversou, olhou, cuidou e deu mil razões boas de nos orgulharmos de sermos seus filhos.

Quando queria chamar a atenção para alguma coisa em nossas vidas, fazia de sua forma sábia e inteligente (como não poderia deixar de ser), mostrando artigos, livros, fazendo um comentário vago, porém sempre perspicaz. Nós já sabíamos que aquilo era uma "indireta" para revermos, ou melhor, vou usar a palavra que ele adorava dizer: para "refletirmos" sobre nossas ações e pensamentos. Apesar de ser um homem público, conversador e questionador, na intimidade, meu pai era discreto, não gostava de grandes badalações. O seu lar representava o lugar do repouso, o refúgio de um guerreiro e, acreditem, o lugar de suas reflexões mais profundas. Ah, como ele adorava refletir e, nós quatro, filhos e esposa, quando víamos que ele estava no seu momento de "debate inte-rior", respeitávamos e acolhíamos o seu silêncio.

As lembranças são tantas, inúmeras, lindas e felizes, mas o concreto, hoje, é que nós, os frutos, nos sentimos abençoados e agradecidos por sermos parte de uma história de um homem que sempre colocou o interesse do coletivo acima do interesse particular. Ele almejava, aliás, vou usar novamente um termo dele: "sonhava" com uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária, na qual as pes-soas pudessem ter condições de correr atrás do pão de cada dia, sem guerra, com paz, com a justiça e a condição de que somos todos irmãos.

Hoje, minha mãe sofre, mas sempre enaltece que viveu dias maravilhosos com o seu companheiro. Com esse homem que era tão apaixonado pela vida, por viagens, pela leitura, pela arte de ensinar e, é claro, como bom italiano, pelo seu time do coração, o Juventus. Aliás, ele gostava de esportes em geral.

Domingo era o dia. O dia de se sentar no seu sofá (o mesmo no qual ele partiu...), e assistir a toda programação de esporte. Domingo era o dia de ler seus jornais e revistas e de receber seus queridos netinhos, Giovanni, 4 anos, José, 2 anos, e Pietro, 7 meses, a quem ele amava incondicionalmente, com tanto cuidado e respeito quanto demonstrou pelos filhos.

Porém, na manhã do último domingo, 25 de outubro de 2009, dia do aniversário de seu papai Giovanni (meu avô), que também não está mais conosco, José Mastrangelo, meu pai, fez uma viagem. O lugar para onde ele foi, ah, esse não posso falar ainda como é. Mas, pelas suas ações, acredito que ele foi para um lugar lindo, cheio de luz. Penso nele e já o vejo num círculo de pessoas, debatendo, questionando, observando e falando de coisas boas e solidá-rias. Com um sorrizinho no rosto, feliz pela sua grande atuação no palco da vida.

Onde você estiver, papai, obrigada por tudo, obrigada pelo grande e bom pai que você foi e pelos ensinamentos de amor e respeito ao próximo que você nos deixou.

*Marcela Mastrangelo é socióloga e bacharel em Direito, filha do saudoso intelectual José Mastrangelo.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Um grande feito




A Conferência Estadual do PCdoB marcou história. Durante dois dias, delegados dos 22 municípios lotaram o Teatrão e debateram os temas num clima de alegria, otimismo e muita unidade política em torno dos propósitos a que o partido tem se colocado nesta fase de estruturação e de construção política tendo em conta as eleições de 2010.

Ficaram impressionados os que por lá passaram para dar uma espiada. Não compreendiam como dezenas de jovens, outros tantos dirigentes sindicais, servidores públicos, presidentes de associação de trabalhadores rurais, lideranças indígenas, gente do mundo acadêmico e empreendedores da iniciativa privada, numa atitude singular e de forma descontraída debatiam os rumos da política no Acre, apontavam soluções, identificavam problemas a serem superados sempre num ambiente fraterno e muito animado.

Os aliados que participaram do ato político de abertura foram contagiados pelo clima militante. Saíram de lá desafiados a construir também eventos que possibilitem nos seus partidos esta mobilização e o debate sempre necessário com a militância. Mais uma vez o PCdoB sai na frente.

Sem nenhuma arrogância ou prepotência, conclamou a Frente Popular a uma retomada do debate político, da necessária pajelança para "recimentar" sua unidade interna, da discussão programática para fins de atualização e definição de prioridades. Tudo isso com a certeza de que um novo ciclo de possibilidades se abre para a Frente Popular no Acre.
O que estava morno, ficou quente. O que parecia cinzento clareou. Os atropelos políticos e embates jurídicos dos últimos dias ficaram pequenos diante das enormes tarefas e das grandes possibilidades que se descortinam num horizonte próximo para as forças de esquerda e democráticas do Acre.

O tempero ideológico sempre indispensável na construção de um projeto de poder popular foi recolocado na pauta central da construção do projeto de 2010.

Mas uma vez, o PCdoB se fez sal.